Rafael.
Não sei bem ao certo como começamos a nos falar,
nem o porque;
acho que eram os amigos em comum, ou os bares.
Fato é que começamos.
Talvez ainda tenha sido numa reunião dos anões mascarados da fcl.
Mas essa reunião era secreta, então, já fudi outras novas amizades que poderiam surgir a partir delas. Desculpem-me futuros amigos que poderiam ter sido formados numa reunião realizada embaixo da rampa do 3º andar, em que nós podemos ficar em pé sem bater a cabeça.
Hoje é seu dia,
é clichê falar parabéns, muita saúde, paz, felicidade, alegria, dinheiro e amor.
Por que?
Porque o tanto de amigos que você tem, o tanto que esses amigos te amam, assim como sua família já te parabeniza por ser quem você é.
A quantidade de pessoas que te ama, admira, é seu amigo no orkut e te segue no twitter mostra que a sua pessoa, depois de um tempo, se torna essencial no dia-a-dia.
Seja por você ter uma camisa garbosa que indica que toda sexta-feira é sexta-feira.
Seja por você sempre ter uma palavra, frase, teoria ou constatação genial pra fazer quando algo acontece tipo: sucesso, ou oh fuck! (mão pra cima, olhar pro céu).
Seja pelo seu celular que tem CHAMAS, e faz de tudo, menos xixi com a patinha levantada.
Essencial, pelo modo como você é e por ser a-mi-go.
com tudo que isso implica: ou seja, levar seus amigos pra passar uns dias na sua ilha de Caras; perdoa-los por cupidarem sua vida; e aturar um ataque psicótico diário por não suportarem a sua pessoa.
A questão é que desejar qualquer coisa clichê ou até mesmo unir todas as coisas boas do mundo aqui seria mediocre.
Desejo cerveja, que você possa tomar de graça com seus amigos no seu próprio pub, que você terá graças ao seu trabalho árduo como jornalista famoso e ganhador do prêmio Pulitzer; assim como aquela casa nas ilhas caribenhas, sua própria ilha chamada RAFALANDIA, em que você abrigará seus mini rafayubinhos e terá uma cadeia feita especialmente pra mim, que com o nascimento do seu primeiro herdeiro me tornarei a Nazaré, tentando sequestrar e morder ele 24 horas por dia.
O que eu quero dizer, é
você é uma pessoa importante demais,
e toda essa coisa emocional não funciona muito pra gente.
Você estaria olhando pra mim com a cara de: precisamos mandar ela pra rehab agora.
Mas é fato que: o tanto que eu te amo não tá escrito, e meus ataques diários não são suficientes pra expressar.
Nem quero tentar expressar, vamos deixar subentendido.
Você é importante, porra.
Feliz aniversário.
E agora,
pra não perder o costume,
morre.
Pai
Meu pai é o ser mais doido que já conheci.
É a pessoa que mais amo e odeio sem deixar de amar.
Ele dança, tem horas de diálogos com meu cachorro, canta, toca violão, fez uma música pra mim quando nasci, me leva pra cima e pra baixo, me proíbe dos rolês mais divertidos, é possessivo, controlador, ciumento, irritante, gritão, mandão.
Ele sempre compra lanchinhos pra mim durante a madrugada, sempre me conta piadas indecentes, ridículas e sem graça mas que não consigo evitar em cair na gargalhada.
Ele me aceita, me acha linda mesmo quando acordo parecendo o Beetlejuice, e me dá tudo que preciso.
Foda-se o clichê, ele é o melhor pai do mundo.
Não imagino a minha vida sem ele, mas imagino como é difícil não ter um desses por perto.
Pais irritam, são insuportáveis.
Mas quando tudo desaba são eles que estão alí, comprando salgadinhos e chocolates pro seu lanche da madrugada; te incentivando a perseguir qualquer sonho, e te banindo de qualquer coisa legal.
Meu pai e eu temos altos e baixos, além dos baixissimos.
E provavelmente todos já me viram surtar por conta de nossas brigas e do temperamento dele, mas acho que é assim que é.
São ossos do ofício de ser filha.
E ele que é pai, mãe, filho, dono-de-casa, empregado, e ser humano?
Meu pai tem 30 mil defeitos, e 30 mil qualidades, todas equilibradas.
Meu pai é MEU PAI. Com toda a chatice, neura, e perfeição que essa palavra implica.
Te amo PAI.
Feliz dia daqueles que tentam te imitar, e ser o melhor do mundo.
Who are you looking for?
A gente passa a vida toda tentando se definir;
a cor do cabelo,
a cor da unha,
a cor da roupa,
a roupa: shorts, bermuda, saia, calça, regata, vestido, manga curta, cumprida, sem manga..
Aos 2 você escolhe uma palavra pra ser a primeira,
aos 12 um cara pro seu primeiro beijo,
aos 17 seu primeiro amor,
aos 18 seu primeiro porre,
seu primeiro carro,
uma profissão.
Nesse tempo todo você escolhe: amigos, cores, músicas, bandas, cantores, lugares, momentos.
Eu escolhi tentar ser jornalista,
escolhi o roxo violeta acima de todas as cores,
escolhi a Avenida Paulista acima de todos os lugares,
escolhi dormir em vez de acordar,
sair em vez de ficar,
terminar em vez de continuar,
não amar em vez de me machucar,
rir em vez de chorar,
ser expressiva em vez de nunca falar,
calar em vez de brigar,
dirigir em vez de andar,
tingir em vez de desbotar,
dançar em vez de chorar,
gritar em vez de calar,
fingir em vez de tentar,
entender em vez de acreditar,
strogonoff em vez de lasanha,
chocolate acima de qualquer coisa,
meu cachorro em vez de outro macho,
Beatles em vez de Rolling Stones,
esquecer em vez de lembrar.
O foda é não escolher nada, sabe?
É perceber que ao seu redor tudo foi escolhido por você, o curso da vida foi indo, indo, indo e te trouxe até aqui. Parada, com o freio de mão puxado e em ponto morto.
Assassinado.
Ou pior, perceber que foi tudo indo, indo e nada me foi consultado; ser a última a saber de tudo e ter que acenar e sorrir, quando não posso fazer nada além de a cei tar.
Não sei a partir de quando a gente começa a escolher, ou a partir de quando estamos aptos a tomar decisões.
Aos 19 anos me acho criança demais pra ter que escolher certas coisas e adulta demais pra decidir outras tantas, coisas que fazem parte de um universo “Malhação” ou “RBD”, que não me satisfazem mais.
E num piscar de olhos temos que ser equilibrados o suficiente pra saber, exatamente, quem somos.

Quem você procura?
E eu confesso, o que me trouxe a esse post sem pé, cabeça, início, fim ou conclusão foi essa imagem do twitter.
“Quem você procura?”
Eu deveria inserir um nome, nick, apelidinho carinhoso ou “Asthon Kutcher”.
Mas, minha cabeça voadora começou a imaginar como seria bom poder simplesmente colocar características.
A pessoa que a gente procura, por exemplo,
‘homem, alto, magro, engraçado, inteligente, bem humorado, sem transtorno bipolar ou disturbios psicológicos’
‘mulher, alta, peituda, magra, dedicada, boa dona de casa’
Quem sabe assim, por uma vez ao menos, a gente encontrasse exatamente o que procura; ou alguém que realmente procure a gente.
Engoli cada palavra como se fosse um pedaço de ferro,
ou como aquele jiló amargo que fica na mesa de domingo e sua avó insiste em dizer que faz bem.
Engoli cada sapo como se fosse carne de rã, chique, classuda e saborosa.
Paguei cada pato com uma lágrima, com uma noite de choro e um dia de televisão e chocolate em plena terça feira.
Fingi como a melhor atriz faz no teatro, na tela de cinema ou da televisão; como a melhor mulher finge seu orgasmo.
Chorei, como a criança que pede a mãe em dia de feira, até perder o fôlego, até ter de ser jogada pra cima pra recuperá-lo; até adormecer e acordar com o olho inchado.
Andei, como aquele maratonista anda por kilometros até não sentir mais nada.
Corri, pra fugir de tudo e acabei no mesmo lugar, que estive tantas vezes, com roupas diferentes e idades também.
Calei, como uma muda de nascença, que não sabe pronunciar nada além de gestos, perdidos num mundo que não para pra ver, pra assistir, quando alguém se desespera em meio a gritos que são tão desesperados quanto e dizem:
por que você tem que ser assim?
Ciúme não é ex
“Saudade não é ex, tampouco amor. Mas a vida da qual abrimos mão por um sonho (ou por um erro) é passado. E de escolhas e de perdas é feita a nossa história. Não há nada que se possa fazer a não ser carregar por um tempo um peso sufocante de impotência: eu escolhi que aquele fosse o último abraço. Agora é outra que se perde em ombros tão largos, tomara que ela não se perca tanto ao ponto de um dia não enxergar o quanto aquele abraço é o lado bom da vida. Da vida que te desemprega mesmo depois de tantas noites em claro e de tantos beirutes indigestos. Da vida que te abre uma porta que você jura ser a certa mas quando resolve entrar descobre duas crianças brincando na sala e uma mulher esperando no quarto. Da vida que te confunde tanto que você quer se afastar de tudo para entendê-la de fora. Da vida que te humilha tanto que você quer se ajoelhar numa igreja. Da vida que te emociona tanto que você não quer pensar. Da vida que te engana.Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê- lo. Se fosse uma comédia-romântica-americana, a gente se encontraria daqui a um tempo e eu diria a ele, que mesmo depois de ter conhecido homens que não gritavam quando eu acendia a luz do quarto, não amavam os amigos acima de, não espirravam de uma maneira a deixar um fio de meleca pendurado no nariz, não usavam cueca rosa, não cantavam tão mal e tampouco cismavam de imitar o Led Zeppelin, não tinham a mania de aumentar o rádio quando eu estava falando, não ligavam se eu confundisse italiano com espanhol e argentino, nomes de capitais, movimentos artísticos, datas de revoluções e nomes de queijo, era ele que eu amava, era ele que eu queria. E ele me diria que, mesmo depois de ter conhecido mulheres que conheciam a Europa e não entupiam o ralo com cabelos, mulheres que tinham nascido em bairros nobres e charmosos de São Paulo, ou melhor, do Rio de Janeiro, mulheres que arrumavam a cama e não demoravam tanto para sentir prazer, não entravam de sapato no carpete, não tinham medo de cachorros pequenos, não reclamavam do ar-condicionado e nem tinham medo de perder a mãe ou comer uma comida muito temperada, era eu que ele amava, era eu que ele queria.“
Escrito por Tati Bernardi.
Because I love you, you idiot
É tão difícil assumir qualquer tipo de sentimento, especialmente quando envolve um casal.
Não há nada pior que calar o que se sente, seja por medo, por traumas ou pela simples necessidade de ter que se omitir.
Gostar de alguém é complicado na sua essência,
vivemos na constante neura de analisar tudo que o outro faz pra tentar entender quais sinais estão sendo emitidos: ele me ama, ele me odeia, ele me vê como amiga, ele me vê como futura namora, eu sou só ficante, sou só a ex, sou a atual, sou a mulher da vida dele. AH!
É insano, e chato.
Sentimentos são as coisas mais insuportáveis acerca do ser humano, eles deixam qualquer um louco e sem a mínima vontade de tê-los.
E só é bom quando tudo se acerta, quando após dias, meses, anos de espera finalmente ocorre aquele beijo, e aquela declaração.
O problema é quando não se acerta,
o problema é quando tudo desmorona e cai por terra.
Rory Gilmore, sim, do seriado Gilmore Girls, pronunciou a seguinte frase:
Because I love you, you idiot.
Em algum episódio da série, e desde então sempre achei essa a melhor forma de expressar seu amor pra alguém.
É tão cego aquele que não vê que é amado, e é tão burro aquele que perde a chance de o ser.
É tão idiota quem se deixa levar por tudo isso.
Um colega estava falando sobre Miguel Esteves Cardoso, e acabei clicando em um texto dele sobre amor.
Nele ele comenta sobre como ninguém mais hoje em dia se apaixona puramente, as pessoas se apaixonam sempre por algum interesse besta, a proximidade, a facilidade de convívio e até mesmo a beleza…
O amor, em sua essência, morreu.
O amor, em sua essência, me mata.
Então seguimos a vida, calados, dando uma de superados enquanto cada bombardeio de sangue suplica por um pouco mais de amor, um mínimo de atenção, um resquício da sua essência.
Você.
É o sorriso bobo ou o jeito de andar, desengonçado, desacostumado com o metro quase dois que a vida lhe deu.
É o jeito que se veste, sempre com um falso ar de desdém mas vira e mexe com camisa preta semi-abotuada porque sabe que aquela foi a roupa que te conheceu.
É o modo como fala, meio pra dentro, meio fanho, mas sempre com uma risada.
É o modo como morde, deixando marcas por aí sem se importar e achando graça do roxo meio esverdeado que fica depois.
É o jeito que fala com os pais, com as mães, da irmã e da namorada.
É o jeito como fala de tudo, é o simples som da voz, que se cala te deixa implorando por um pouco mais.
É o modo como canta uma música com a letra toda errada, toda enrolada, só pra fazer graça e se achar demais.
É o jeito que cativa, todo mundo que olha, mesmo que seja só de relance, pelo simples jeito de ser.
É o perfume que fica, quando passam horas, pregado na roupa, no cabelo e na boca, sempre parecendo impregnar.
É o modo como faria todos, sem excessão, irem embora desejando ficar.
São os pequenos vícios, as pequenas tentativas, e as pequenas manias que te fazem esquecer de respirar, perder a noção do tempo, e do lugar, e querer ficar pra sempre e todo o sempre aonde quer que esteja, contanto que esteja lá.
Não sei se foi o excesso, mas agora sei que é a falta; de tempo, de espaço, de lugar, e de todas as pequenas coisas que compõem você.
Aqueles dias
Odeio aquela irritação que chega bem na hora que você acorda.
Checa o calendário pra se certificar que é a maldita tpm, e, que surpresa, não. É só um dia negro, sem motivo aparente vindo por aí.
Hoje eu acordei assim, e logo que levantei cogitei deitar de novo e passar o dia na cama, em estado de coma, em posição fetal pra ver se passava.
A irritação foi crescendo conforme aumentava meu contato humano: meu pai, minha irmã, até meu cachorro sofreram olhares acompanhados de lasers e notas mentais de “não fala comigo”.
O motivo?
nenhum.
Eu acho que poderia culpar qualquer coisa, a ausência, o excesso, a indecisão, o desemprego, a liberdade, o status, o clima.
A cor da minha calcinha, numa tentativa mais desesperada de tentar me entender.
Então passei o dia entre sorrisos falsos, conversas monossilábicas e resolvi assistir um dos meus filmes favoritos: alma de poeta, olhos de sinatra.
E quando acontece toda aquela romantização eu só pude falar:
É SIM, ATÉ PARECE.
- O que foi?
Perguntou meu pai no auge da minha crise.
- Nada, to de tpm.
Ás vezes é mais fácil usar esse álibi quando nem eu mesma sei o que se passa comigo.
Foundations
E quando não há nada mais que te mantenha alí senão doces lembranças,
e quando não há nada mais a ser dito e ainda sim tanta vontade de falar.
“minhas mãos estão segurando as rachaduras e eu sei que deveria soltar, mas não consigo”